Todos os Direitos Reservados® - ATENÇÃO! Todas os textos aqui postados estão protegidos pela LEI DO DIREITO AUTORAL, Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Portanto é proibida qualquer reprodução ou divulgação dos textos, com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na WEB, sem prévia consulta e aprovação. Sujeito a processo, indenizações.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Permanente-Contínuo.
Aquele cinzeiro se entupia de cinzas, e a cada tragar minha mente esvaia-se longe, e se afogava em meio a lembranças e sonhos retrospectos. Tendo somente naquele quarto escuro um ponto de luz que iluminava seu rosto e me dava o singular gozo de colocar em minha expressão um sorriso por compreender em profundo interior a certeza do sentir que se apossa meu ser nesse presente infindavel e longiquo. Ao reparar sua silhueta cheia de mistérios, na sensação de um sim e um não, um agora, por enquanto e ainda mais, um pra sempre, meus musculos involuntariamente desejavam se contrair, e ao mesmo tempo, se esparrarmar, com uma sensação de preenchimento, como se o meu todo, tudo o que preciso, estaria aqui e eu jamais encontraria do lado de fora daqueles paredes, algo que me completasse tão inteiramente. Meu calar, se confundia com suas expressões de duvida. suas expressões de dúvida, argumentavam contra e a favor à vida que continuava a caminhar do lado de fora. E ao tempo intermédio, meus passos se ritmizavam aos seus, de tal maneira, que nosso caminhar mantinham-se equivalentes, e quando diferentes, havia a espera, a pressa, o estranhamento e depois a compreensão. E ali, trancado comigo mesmo, eu e o meu pensar, ia longe, mas nada tão bruto que me deixasse ficar distante de ti... Pensamentos voavam, aproximavam-se do seu ser, te abraçando, apertando, e lhe levando para lá, comigo, onde quer que eu fosse caminhar; te embalavam no meu sonho e em minha melodia, te traziam para perto, tão perto, que me sentia à você como um só... Um só ser, que habitava dois corpos. Eu, por mim, passou a ser o mesmo que eu, por você, ou ainda mais completo, tornou-se o eu, por nós. O eu sem egoísmo, covardia ou limite... Apenas alimentava-se do clima fumegante no ar, estalos de amor, sussuros de risos e falas de apaixonados. Quando junto às cinzas encontrava-se a bituca, e o ponto de luz se perdia na imensidão apagada e negra, nada nos restava, somente um ao outro, somente eu a mim mesmo, e você a si mesmo, somente olhares que se entendiam, e lábios que se atraíam, onde ao varar das horas, nos afastava da vida externa e aproximava o palpitar de dois corações que só tinham como esperança, que tudo se prolongasse duradouramente até o fim.