Preso àquele negrume criado por si próprio, ele se compendia em pequenos intervalos, totalmente afixo, revolto, destoado.
Latejando à sua cabeça, todas aquelas objeções, pudor e frenezim... Enquanto sua boca (de poço) colocava pra dentro à seco cada palavra na qual ele sabia que jamais iriam ser lançadas à fora. Seu coração palpitava a melodia fraca que se desenrolava, e seus dedos inquietos procuravam uma distração ou outra forma de despejar o que tinha vontade de extrair de si.
Ao se ver colocado àquele ponto, onde inconscientemente permaneceu sozinho, notando a presença e calor de quem lhe era próximo, se esvaecendo, juntou sua dor e o resto de viveza que possuia, e se manteu à frente, pé sobre o preto, outrora no branco... Sendo levado não sabendo mais como até perceber-se dentro e ainda mais próximo, de volta, à sua escuridão, sabendo que lá, seria sempre onde regressava...
Sentiu-se vazio internamente, não sendo a primeiro vez, entretanto por ser mais uma, juntou-se ao acúmulo que já possuia, tornando suas dores e medos ainda mais fortes. E mesmo na tentativa de conservar-se em pé no escuro e dar um passo adiante num frígido seguir solitário, tinha a convicção de que era inútil qualquer tentativa de seguir em frente... Suas forças e melhores lembranças haviam ficado para trás e seguido um caminho em seu oposto, onde sua razão e emoção lhe julgavam como culpado, condenado a carregar fardos de culpa por todo seu restante do dia.
Seus olhos já não demonstravam temor, tornaram-se por hora, vermelhos, e cada vez mais, úmidos, deixando toda aquela dor, percorrer seu rosto. Sentira-se indefeso, atemorizado, com um único desejo no coração, retornar à hora da despedida... Sabendo que engolindo à seco palavras ainda antes, viria a evitar o posterior acontecido, eliminando as dores, trocando-as por um lhano e verdadeiro alegrar-se. Assim, passaria a monitorar-se mais, da mesma forma que vinha fazendo, de um jeito que nunca deveria ter se acomodado. E, da forma como nunca permitiu seu orgulho se sobrepor a isso, sê pôs intacto em frente ao seu reflexo, deixando sua mente esvair-se, procurando o local onde gostaria de estar, talvez, esperando enxergar outro reflexo escondido por trás do seu, lhe aquecendo num veemente amplexo. Percebeste que seu teto de vidro tornara-se quebradiço, e que fantasias não lhe chamavam mais atenção, estava se tornando frio, calculista, severo consigo e com o outro, mas, no coração ainda habitava os medos... Medos que partiam de certezas e incertezas. E uma singular coragem, aquela de deixar de ir à frente e retornar... Voltar e buscar o que deixara para trás, o que perdeste e abadonaste. Coragem de encostar joelhos no chão, e pronunciar lentamente pedidos de remissão de culpa, pois possuia a certeza que tamanha atitude seria pequena à tamanho sentimento que os induz a aproximá-los, protegendo-os e conservando tal afeição.
Em seus olhos os demais notam vulnerabilidade, e uma intensidade assustadora de uma forma desigual de amar e, em seu coração ele nota que fazer-se entender nem sempre é necessário, basta só se deixar levar... Palavras são devera traiçoeiras, fazer-se ser compreendido pelo olhar, é mais certeiro à uma resposta sem surpresas temerosas.