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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Possessão.

Eu não iria saber explicar o que se passa em mim durante esse tempo e como esse espírito se une ao meu sem me tirar nem sequer o conhecimento, e nem a liberdade da minha alma, tornando-me outrora, como um outro eu de mim mesmo, como se eu tivesse duas almas, das quais uma é desprovida de seu corpo e do uso de um órgão e se mantém à parte vendo agir a outra que nele se introduziu... Quando quero, pelo movimento de uma dessas almas, fazer um sinal da cruz sobre minha boca, a outra me desvia a mão com uma grande rapidez e me segura o dedo com os dentes para me morder de raiva. Se desejo por fôlego, agressivamente recebo impulsos que trancam gradativamente meu respirar, sendo mãos que espremem meu pescoço, com uma força tão intensa, na qual apelo nenhum meu é escutado. Se meu olhar tenta transmitir um pedido, ou transpassar a dor, do outro ser habitante recebo unhas violentas e com uma vontade voraz de arrancar-me estes meus órgãos. Não possuo noção de tempo ou intensidade... É uma invertida ligeira na qual assisto silenciosamente meu decompor. Os gritos abafados e as mãos suadas nas quais chegam até a mim, não reconheço identidade, originalidade ou até mesmo função... talvez perturbar, enlouquecer, amenizar, familiarizar, possuir. Os pensamentos, as visões, e sensações são todavia densos e persuasivos, criam uma guerra entre almas e corpo, alma-corpo-alma, te induzem a movimentos, te usam como arma, te esfolam como escudo, te machucam e jogam como se caísse de costas lá do alto em uma estaca. Marcam são deixadas, assim como medos, pavor e angustia. Esse espírito se desprende do meu, o meu que entretanto seria também dele, e que seriam todos um só, ou não, isso só é um pensamento colocado na minha cabeça. Te abandona, mas não te esquece, cedo ou tarde, almas perdidas, sempre voltam ao corpo que se sentem donas.