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domingo, 23 de janeiro de 2011

Bendita.

Aos poucos, dia pós dia, em meio a febres e trovões, sementes plantadas sob meus pés, ganhavam vida, e alcançavam a altura de meus olhos, encobrindo o horizonte. E ao ver o resultado do suor de minhas mãos que ao fim do dia estavam calejadas, e com terra embaixo das unhas, senti-me envelhecida, notando que o processo que decorreu em minha vida também coinscide-se com o crescimento deste milharal. Embora não tão marcadas como meu rosto, apresentavam marcas de todo o processo de seu desenvolvimento, passando por temporais e secas.

Ao me encontrar no meio de todo aquele campo alto, onde quase eu me perdia de vista, senti-me orgulhosa dos passos que dei até chegar onde estou, e percebo que cada marca em meu rosto que consigo enxergar com o pouco que ainda me resta de visão, são marcas que externamente demonstram quem me tornei por dentro. Narrar dores e sofrimentos são piegas, porém é através de quedas, que aprendi que até mesmo quem ganha vida vindo sob o solo, consegue chegar mais perto do céu, e tocar as nuvens.

Envelheci, com tarefas cumpridas e alguns planos não realizados, mas chego a última fase da vida com desejos ainda da mocidade, querendo apenas deitar nessa terra molhada, e sentir a brisa forte, trazendo a chuva para lavar minh'alma.