Sob os pés, pedaços miúdos de papéis, que certa vez, haviam sido uma forma gravada de manifestação de algum tipo de afeto que tira o fôlego e que nem mesmo é possível nomeá-lo... Prepotência daqueles que querem chamá-lo de AMOR. Amor não é para todos, não pode-se dizer a forma certa de sentir ou expressar, amor não é comum, nem fácil de se sentir, menos ainda de se mantê-lo puro, sem sujeiras. Cabe a cada ser, saber como reagir quando tal sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar, tomá-lo conta por completo. Decorrente a falta de entendimento, junto aqueles papéis, estava também rasgado um sentimento, um coração, todo costurado por dor, exposto. E era incontrolável querer manter seu rosto seco... Os olhos passaram a envermelhecer-se e inchar. De seus lábios não saía som, devido ao nó torcido que existia dentro de sua garganta, e a dor que começava a predominar-se. As imagens retrocessas de pânico e impulsividade perfuravam seu coração como pequenas agulhas, que de uma a uma o agonizavam fazendo o desespero aumentar.
Bastava olhar em volta, para ele saber que o que viria em seguida não seria nada fácil, nem menos pior do que os atos que haviam deixado em tais condições as paredes, os móveis e resultado em marcas físicas e sentimentais em seu rosto e corpo. Nenhum estrago físico, marcas, papéis triturados, roupas rasgadas, objetos lançados era tão assustador do que sua imagem virada ao avesso, seu interior definhado e apodrecido por tudo que foi jogado ao vento sem sequer um prévia pausa para respirar.
As fotografias repartidas ao meio, simbolizam o fim do primeiro ato, o fim da unidade, da vida planejada por pilares encharcados de boa fé e esperanças. Diálogos que voltavam à tona em meio a toda confusão que habitava sua mente, forçavam ainda mais o desfalecimento e a vertente de lágrimas insistentes em cair. E quando o silêncio tomava conta, o que tocava seus ouvidos, era os calafrios que outrara sentiu, e que tornando em voga, fez-o agonizar de saudade.
Inexplicável o modo como tudo foi encaminhando-se para um lamentável afastamento, a divisão de duas almas que confortáveis e acostumadas a serem e agirem como uma só, tornavam-se obrigadas a caminhar em trilhas opostas, almejando que nunca houvesse um reencontro.
Dedos suados, mãos trêmulas, pés impacientes, e internamente vazio. Sim, vazio! Vazios. Boca sedenta de não-omissão, não-quietude, porém nada expressava. Olhos semi-cerrados, impossibilitados de enxergar. E o coração em estado semelhante a um pano feito todo de algodão, onde em mãos, era lentamente dislacerado.
O tempo, o recomeço, o fim, nenhum deles demonstram-se tão fortes capazes de reanimá-lo, de acordar seus orgãos, seu espirito. Ele só quer isolar-se em meio seu estado sem consolação, corroendo o dor por não ter pintado um roteiro diferente.
Pertubador adjetiva o fracasso, o medo, as atitudes cruéis sem justificativas, mata a sede da saudade e da falta. E por mais que em palavras ele se afogava para deixar escorrer suas aflições, nada lavaria sua alma, nem lhe traria de volta o que ignorantemente perdeu.
Não era amor que faltava para que o desfecho fosse diferente, isso havia de sobra, tanto que doía. O desfecho teria um fim positivo se insultos fossem deixados de serem proclamados, e o amor não fosse tratado como salvador, mas sim, somente como amor, e que sozinho, ele não sabe se virar. O desfecho esperava mais maturidade, maior competência, detalhes perdem espaço quando uma mágoa decide criar voz e explodir.
O fim torna-se fim justificadamente e com razão, surge quando quer e quando é chamado. Porém, em certas circunstâncias, o fim aparece mesmo quando não se deseja tê-lo próximo, mas mesmo assim, é difícil contestar sua razão. Ele vem, a todos, de qualquer modo, relacionado a qualquer momento vivido. O fim se faz de amigo conselheiro, trazendo-nos a oportunidade de recomeçar... Ele só ainda não aprendeu que quando se ama, não existe espaço para ele, talvez espaço, apenas para o tempo, onde nos apoiamos e esperamos que venha a resolver tudo, mas infelizmente, não é assim que as coisas são... Assim como o fim daquelas cartas não precisavam ser dentro de uma lata de lixo, ou as fotografias findando-se em cinzas. Ou seu corpo cortorcido, e sua alma nauseada.
O fim, não foi chamado, nem muito mesmo precisava ter chegado, mas ele veio apenas para deixar o recado que insistentemente somos incapazes de aprender a ter que ouvir uma vez só, dar valor depois que já se foi, é acertar o coração e dizer: "Abri as portas para o fim sem perceber!".
Talvez para ele, o fim chegou para acordá-lo demonstrando que nem tudo se é possível explicar, cabe a nós, apenas sentir. Queira apenas explicar quão belo é estar lado a lado, tendo duas almas, caminhando sob o mesmo trilho, e na mesma direção. Amor não se entende, se alimenta!